Saiba por que o metanol é um perigo invisível no tanque do seu carro

Extremamente tóxico, produto pode causar danos aos motores de automóveis e graves riscos à saúde

Perigos do metanol

Uma das fraudes mais perigosas no setor de combustíveis é a mistura do metanol com gasolina, ou etanol. A legislação brasileira impede o uso do metanol como combustível devido, justamente, à sua alta toxicidade. Na verdade, ele é usado apenas como matéria-prima para sintetizar produtos químicos, que, por sua vez, são usados na produção de adesivos, solventes, pisos, revestimentos, entre outros.

“A legislação entende que o metanol é insumo, e não combustível. Já existem registros de casos de postos que venderam o produto com 50% gasolina, 27% álcool e 23% de metanol. E há relatos sobre o acréscimo de 50% de metanol na mistura”, explica Helvio Rebeschini, diretor de Planejamento Estratégico da Plural.
O metanol pode provocar graves danos à saúde, como cegueira, problemas renais e hepáticos, e mesmo a morte, como destaca o biólogo e técnico em segurança do trabalho Carlos Moreira, gerente de projetos da Siryhos Soluções em Higiene Ocupacional.

“A intoxicação pode ocorrer por inalação, ingestão, ou absorção cutânea. O metanol tem efeito acumulativo no corpo, podendo ser absorvido em grande quantidade, mas eliminado somente aos poucos. Na manipulação industrial, recomenda-se o uso dos equipamentos de segurança necessários”, ressalta o especialista.

Moreira aponta, ainda, outros problemas que podem ser causados pelo metanol. “A sua explosão é muito mais forte do que a da gasolina e a do etanol. Tanto que hoje, temos veículos de corrida que usam metanol. Se você mistura metanol ao combustível, pode causar danos às peças de um carro para uso popular, que não está preparado para outro tipo de explosão. Além disso, o metanol tem chama invisível a olho nu, logo, em caso de capotamento, a pessoa pode não ver que está queimando, sofrendo queimaduras das mais simples às mais graves”, explica.

Maior controle sobre o metanol

Considerando a toxicidade do metanol, seu potencial como adulterador do etanol combustível e da gasolina, além dos riscos à saúde humana e à segurança pública e privada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou a regulamentar o metanol por meio das Resoluções ANP nº 696/2017 e nº 697/2017, o incluindo na definição de solvente e adequando seus atos normativos a fim de tornar mais efetivo o controle do produto no mercado nacional.

Um fato importante a se destacar é que todo metanol que circula no país é importado, sendo que o volume que entra só vem aumentando nos últimos anos, exigindo, com isso, maior controle alfandegário. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em 2013, o volume total importado foi de 1.018.655 m³ e, em 2017, este número pulou para 1.462.328 m³. Até julho deste ano, a quantidade importada foi de 892.405 m³.

Para combater a importação de metanol para uso em combustíveis, a Plural vem atuando na defesa de algumas práticas importantes que visam à concorrência leal e ao produto na quantidade e na qualidade corretas para o consumidor. Isso inclui uma fiscalização mais efetiva sobre o processo de importação, com maior integração das autarquias de controle.

Atualmente, segundo destaca a associação, cada área alfandegária tem estruturas diferentes e um responsável aduaneiro, a quem cabe interpretação das normas, ou seja, podem ser realizados procedimentos e interpretações de normas distintas entre as diversas áreas. Para a entidade, o controle deve envolver, ainda, a parte tributária, a movimentação do produto, a coerência entre o negócio do importador versus o volume importado, entre outras iniciativas, com maior utilização de ferramentas de inteligência de fiscalização.

Confira abaixo: Investigação do Jornal da Record revela fraude em posto de combustível de SP

Por Alessandra de Paula