Tem carro flex e quer passar da gasolina para o álcool? Fique atento à dica

A troca de combustível não prejudica o motor, mas exige um cuidado que poucos sabem

Uma boa notícia para quem tem um carro com motor flex é o preço competitivo do etanol no momento. Hoje, o biocombustível alcançou um valor que o torna mais vantajoso do que a gasolina em diversos estados brasileiros. Mas essa vantagem sempre vem com aquele velho questionamento que você ou algum amigo já escutou: “tem usado muito etanol no seu carro? É por isso que está dando problema”.

Trata-se de um dos mitos mais propagados entre motoristas e mecânicos. Como bem explica Gilberto Pose, especialista de combustíveis da Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, essa desinformação vem desde os anos 1970, quando o Proálcool foi introduzido no país.

“Naquela época, nós tínhamos carburadores revestidos com zamac, que é uma liga de zinco composta por alumínio, cobre e magnésio. Com o uso do álcool, essa liga começava a se descascar com o tempo. Mas a indústria do automóvel evoluiu e os novos motores não sofrem mais esse tipo de degradação”.

O mito perdura até hoje, apesar de ser cada vez menos difundido. No entanto, o biocombustível deu a volta por cima, sendo preferido, inclusive, na motorização do tipo Flex. Pose credita isso à evolução da eletrônica embarcada e a todo o conhecimento adquirido com o tempo.

Atenção ao trocar de combustível

Outra desinformação relativamente popular é que o motorista de um carro flex deve alternar entre o etanol e a gasolina, ou evitar utilizar álcool demais no veículo, o que não é verdade. Segundo o especialista em combustíveis da Raízen, o abastecimento pode ser feito em qualquer proporção. A única ressalva diz respeito ao momento em que o motorista decide trocar o combustível por completo.

“Existe nos motores flex uma sonda chamada sonda lambda, que mede a qualidade do gás de escape. E a qualidade desse gás é diferente entre etanol e gasolina. Por isso, essa sonda precisa de um tempo analisando esses gases para detectar a mudança”, explica Pose. “A recomendação das montadoras é deixar o motor ligado após o abastecimento, ou rodar com o carro por dez a 15 minutos antes de desligá-lo para que o equipamento possa identificar a nova composição do combustível no tanque”, aconselha o especialista.